Inteligência artificial do Google vence no jogo chinês Go

REDAÇÃO LINK

01 de fevereiro de 2016

Jornal O Estado de S Paulo

Will Knight
TECHNOLOGY REVIEW

Sistema criado pela empresa bateu cinco vezes o campeão europeu do jogo, criado na China há 2,5 mil anos

O Google deu um passo brilhante na direção da construção de uma Inteligência Artificial (IA) com mais aspectos de intuição humana ao desenvolver um computador capaz de vencer até mesmo pessoas especializadas no diabólico e complicado jogo de tabuleiro Go.

O objetivo do Go, um jogo criado na China há mais de 2,5 mil anos, é simples: os jogadores devem, alternadamente, colocar “pedras” brancas e pretas numa grade de 19 linhas horizontais e 19 verticais com o objetivo de cercar as peças dos oponentes, além de evitar que suas próprias peças sejam cercadas. Dominar o Go, porém, exige prática contínua, assim como o dom afinado de reconhecer padrões sutis no arranjo das peças espalhadas pelo tabuleiro.

O grupo de pesquisadores do Google demonstrou que as habilidades necessárias para dominar o Go não são exclusivamente humanas. Seu programa de computador, chamado AlphaGo, derrotou o campeão europeu do jogo, Fan Hui, nos cinco jogos disputados. E, em março, o AlphaGo vai enfrentar um dos melhores jogadores do mundo, Lee Sedol, em torneio que será realizado em Seul, na Coreia do Sul. “O Go é o mais complexo e bonito jogo já inventado pela humanidade”, declarou Demis Hassabis, chefe dos pesquisadores do Google e, ele mesmo, um ávido jogador do Go.

Hassabis disse que as técnicas usadas para criar o AlphaGo contribuirão para os esforços do grupo de desenvolver uma Inteligência Artificial genérica. “Queremos aplicar essas técnicas a problemas do mundo real”, disse ele. “Como os métodos que usamos são de propósito genérico, nossa expectativa é que um dia eles possam ser estendidos para auxiliar na resolução de alguns dos problemas mais prementes da sociedade, de diagnósticos médicos a modelos climáticos.”

Segundo Hassabis, a tecnologia pode ser aplicada no desenvolvimento de melhores softwares de assistência pessoal. Tais assistentes pessoais podem assimilar as preferências dos usuários a partir de seu comportamento online e fazer mais recomendações intuitivas sobre produtos e eventos. O AlphaGo foi desenvolvido por um grupo de pesquisadores conhecido como Google DeepMind, que foi criado depois de o Google ter comprado uma pequena startup britânica de IA chamada DeepMind, em 2014.

Os pesquisadores construíram o AlphaGo usando um método de aprendizado de máquinas conhecido como “deep learning” (aprendizagem profunda, em inglês) combinado com outra técnica de simulação para modelagem de potenciais movimentos feito pelos jogadores.

Duas grandes redes de “deep learning” foram usadas no AlphaGo: uma aprendeu a prever o próximo movimento e a outra a antecipar o resultado de diferentes disposições no tabuleiro. As duas redes foram combinadas usando um algoritmo convencional para antever possíveis movimentos no jogo.

“A chave para o AlphaGo é reduzir o espaço de pesquisa para algo mais controlável. Esta abordagem o torna mais humano do que as abordagens que usamos antes”, afirmou David Silver, outro pesquisador do Google que liderou o grupo.

Ver a Inteligência Artificial dominar o Go pode levar a uma certa angústia existencial. Hassabis foi questionado sobre os riscos de longo prazo que o sistema de IA que o Google está desenvolvendo pode ter em longo prazo. Ele afirmou que a empresa adota medidas para atenuar esses riscos ao colaborar com acadêmicos, organizar conferências e trabalhar com um conselho interno de ética. /TRADUÇÃO DE PRISCILA ARONE

É o fim do carteiro? Google testa entregas usando drones e deixa indústria otimista

O mundo em mudança obriga as empresas a uma permanente atenção e questionamento sobre seus processos, hábitos, maneiras, soluções e mesmo produtos. A pergunta não é o que temos, somos, fazemos ou onde estamos, muito menos o que tínhamos, fomos, fazíamos ou onde estávamos. O desafio e única alternativa é estabelecer o que teremos, seremos, faremos e onde estaremos. Cabe ficar muito atento às tendências para não seguir os passos da Varig, da Olivetti, da Kodak e outras que ficaram na poeira da estrada.

Como é que a chegada dos drones afetará seu negócio? Será o fim do carteiro? O que terminará e o que surgirá? Não tem mais garantia de emprego nem de mercado no mundo moderno.

Veja importante artigo do Wall Street Journal publicado no Valor Econômico, pg. B10, edição de 30/8/2014.

Telmo Schoeler

GOOGLE TESTA ENTREGAS USANDO DRONES E DEIXA INDÚSTRIA OTIMISTA

Por Alistair Barr, Jack Nicas e Greg Bensinger

The Wall Street Journal

01/09/2014

Quando Jeff Bezos, diretor-presidente da Amazon.com Inc., divulgou, em dezembro, um plano de entregar encomendas por meio de drones, o anúncio foi visto como um golpe de mídia para a época das compras natalinas. Menos de nove meses depois, uma iniciativa similar do Google Inc. está sendo recebida de forma diferente.

A mudança reflete o poder financeiro e o lobby feito pelo Google, que poderão ajudar a superar obstáculos técnicos e regulatórios. Mas a receptividade também é um sinal da maior confiança na tecnologia de aeronaves não tripuladas, que até o momento é mais associada a mísseis do que a encomendas, assim como do interesse crescente nas possibilidades de uso.

Desde junho, a Administração Federal de Aviação (FAA, na sigla em inglês), agência do governo americano que regula o setor de aviação, já recebeu 31 requisições para a operação comercial de voos de drones – de empresas agrícolas, de inspeção de dutos, supervisão aérea e produção de filmes. A BP PLC obteve, em junho, permissão para operar drones no Alasca. A Walt Disney Co solicitou três patentes de drones. E dezenas de outras estão operando drones comercialmente sem autorização.

“Estou entusiasmado de ver grandes empresas como o Google entrando no jogo, exatamente porque elas podem ajudar a mudar as leis”, diz Russ Tedrake, especialista em robótica no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT, na sigla em inglês). “As pessoas tiveram tempo para se acostumar com a ideia desde o anúncio da Amazon. Muitos de nós acreditam ser inevitável agora.”

Ainda existem obstáculos para usar os drones para entregar encomendas. A FAA proíbe efetivamente quase todo seu uso comercial nos EUA. A lei pode mudar nos próximos anos, mas a FAA tem afirmado que, no futuro próximo, vai exigir que pilotos controlem os drones, o que prejudicaria a questão econômica das entregas.

Os drones precisam de melhores ferramentas de navegação para evitar choques contra pessoas, árvores, fios de energia, pássaros e outros drones. E precisam de baterias mais potentes para fazer entregas em distâncias maiores que poucos quilômetros.

A FAA planeja propor regras para pequenos drones em novembro e finalizá-las em um ou dois anos. Mas o regulador não cumpriu outros prazos, em parte devido à falta de dados sobre a operação dos dispositivos. Os executivos do setor de drones temem que os EUA percam terreno para outros países, como Austrália e Canadá, que possuem leis mais abertas.

A entrada do Google no setor de drones para entregas, anunciada na quinta-feira passada, contribuirá para a causa dos apa, graças ao caixa de mais de US$ 50 bilhões da empresa, sua experiência prévia com regulação de veículos que se autodirigem e sua força lobista.

O Google contratou o escritório de advocacia Akin Gump Strauss Hauer & Feld LLP para fazer lobby no governo sobre o uso civil de drones. A Amazon e outras empresas de drones, como 3D Robotics Inc., DJI Technology Co. e Parrot SA, contrataram a mesma firma. O Google tem experiência na tarefa de persuadir reguladores, como fez com os da Califórnia e Nevada para que seus carros sem motorista trafegassem por vias públicas.

Empresas como o Google “têm o histórico de fazer o que afirmaram que iriam fazer e têm um fortíssimo poder de lobby e dinheiro para gastar”, diz Patrick Egan, diretor dos programas especiais da Associação de Plataforma Aérea Controlada Remotamente, um grupo do setor de drones.

Empresas de computadores e internet investiram US$ 141 milhões em lobby no ano passado, muito mais que empresas de defesa e aeroespaciais, que gastaram US$ 58 milhões, segundo o Centro para Políticas Receptivas, um grupo que monitora o dinheiro na política. O Google investiu quase US$ 9 milhões este ano até julho, segundo o site Opensecrets.org. O Google não quis comentar na sexta-feira.

A FAA conversou com o Google sobre o seu esforço para fazer entregas com drones, conhecido como Projeto Asa. Les Door, porta-voz da FAA, diz que o projeto está num “estágio muito inicial” nos EUA e destacou que, até agora, o Google não entrou com nenhum requerimento para fazer algo com drones no país. A Amazon entrou com um pedido, no início do ano, para uma autorização para testar drones em áreas rigidamente controladas.

Como a agência cogita a elaboração de novas regras, ela autorizou seis áreas de testes com drones nos EUA.

O Google começou a trabalhar no projeto de drones em 2011 e afirmou que a expectativa é que “levaria anos para desenvolver um serviço com muitos veículos fazendo múltiplas entregas diárias”. O protótipo de drone do Google possui uma única asa de cerca de 1,5 metro de extensão e 76 centímetros de altura, com quatro propulsores que permitem que o dispositivo se mova em diferentes direções. As encomendas são colocadas em um compartimento no meio da asa. A altitude dos drones seria limitada entre 40 e 60 metros.

O Google está conduzindo seus testes desde o fim do ano passado. Os protótipos do Projeto Asa fizeram testes de entrega na Austrália este mês, levando doces, ração para cães, vacinas de gado, água e rádios para dois produtores em Queensland.

O Google pode compartilhar informações desses testes com a FAA, diz Mike Toscano, presidente da Associação da Integração de Sistemas de Veículos Não Tripulados, um grupo comercial. “A forma de convencer os reguladores é ter dados que provam que isso é seguro”, diz. “Testes reais também ajudam a identificar o que precisa ser alterado e o Google já está fazendo isso.”