Não precifique a sua ineficiência!

Fabrício Nedel Scalzilli

Membro do Conselho da Magnólia Partners


Com o aumento da taxa de juros no Brasil, muitos empresários entendem que o melhor é deixar o dinheiro rendendo no banco. Até mesmo aqueles que possuem o empreendedorismo no sangue se acomodam. Muitos pensam: há momentos que o sistema financeiro trabalha melhor com nosso dinheiro. Há uma explicação lógica. Quando se vai empreender, o capital próprio é mais caro que o capital de terceiros. Como a cultura financeira no Brasil é baixa, muitos pensam o inverso, exatamente pelas altas taxas de juros cobradas, principalmente em capital de giro. Enquanto as instituições financeiras possuem seu risco atrelado ao contrato e geralmente se resguardam bem com garantias e forte análise de crédito, o proprietário possui o risco de todo o negócio, cujas garantias, menos tangíveis, são regras claras, respeito a contratos, economia e política estáveis. O empresário só vai tirar o dinheiro do banco se a rentabilidade do negócio e do empreendimento for igual ou maior do que àquela oferecida pela instituição financeira.

Com o mercado em dificuldade, vemos diversas empresas dos mais variados segmentos buscando recursos para financiar suas operações e seus projetos em troca de participação acionária. Em muitos casos, o desalento é tão grande que a ideia é vender 100% do negócio.

O insucesso da maioria dessas operações, se dá pela forma que a transação é proposta. Primeiro, porque o recurso captado é para capital de giro e pagamento de dívidas de curto prazo; segundo, porque o negócio não gera uma taxa de retorno e rentabilidade atrativas ao investidor-comprador. Por fim, não há provas ou dados que sustentem as afirmações de que o negócio é bom e voltará a gerar caixa como nos anos anteriores ou que aguente a crise com poucos efeitos colaterais.

O negócio tem de ser bom para o comprador. Aqui estão as reais chances do negócio ocorrer! Cuidado com o trocadilho, mas o grande erro de quem busca realizar uma operação de venda ou fusão de uma empresa está sempre em apresentar o negócio “sob os olhos do vendedor”, enquanto o correto está em construir os fundamentos de venda “sob a ótica do comprador”. Ao invés de pensar em dourar a pílula como muitos fazem, o foco deve estar em estudar e demonstrar ao comprador a real oportunidade, as sinergias e o ganho real caso ele entre no negócio.

É função do vendedor ou do seu advisor demonstrar isso e as reais taxas de retorno do negócio. Por tal motivo reforço aqui o título desse artigo: Não Precifique sua Ineficiência, buscando recursos certos com intuito apenas de apagar incêndio e compor capital de giro de curto prazo.

O mercado de fusões & aquisições, atualmente, concorre sem pé de igualdade com o mercado financeiro. Há menos risco deixando recursos rendendo nos bancos do que comprando empresas no Brasil. O mercado financeiro no País, com todas as suas idiossincrasias, está sólido e resistindo a crise, diferentemente de muitos outros setores. Comprar uma empresa ou participação acionária, com a promessa de retornos polpudos não é para qualquer um. Conhecer o negócio, os concorrentes, sobreviver a voracidade tributária e por que não trabalhista; financiamentos caros, mão de obra desqualificada, sobreviver a diversas greves durante o ano, já com datas pré-definidas; ainda, mercadorias presas no porto, fretes caros e tantos outros absurdos que só ocorrem no Brasil fazem com que os dividendos sejam uma verdadeira coroação da sobrevivência empresarial.  Por isso, se coloque no papel de quem está entrando no negócio. Tente pensar como ele, veja seus pontos fortes e fracos, entenda o valor do seu negócio para ele e acima de tudo demonstre que você e sua empresa são mais atrativos que os bancos.

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