Cinco fatores impulsionam atual mudança de cenário

Jornal Valor Econômico

06/07/2015 ­

Por Carmen Nery


Pelo menos duas novas arquiteturas despontam para fazer frente aos desafios atuais da tecnologia: sistemas distribuídos Hadoop e sistemas convergentes. Em paper sobre sistemas convergentes, a HP alerta que a cada dez ou 15 anos, uma mudança tectônica irrompe para modificar não só a arquitetura de sistemas, mas também a forma como as empresas compram, constroem, consomem e entregam tecnologia.

Nos anos 80, já houve mudança de mainframes para cliente-­servidor. Os mainframes eram servidores proprietários integrados e centralizados, acessados por terminais sem inteligência na ponta do usuário, já o modelo cliente-servidor era uma arquitetura aberta e distribuída com capacidade de processamento dividida entre o servidor e a máquina do usuário. Nos anos 90, houve a mudança para a computação na internet.

Agora, mais uma vez, o cenário está se alterando impulsionado por cinco fatores: o surgimento de mobilidade, redes sociais, big data, computação em nuvem e internet das coisas. Além disso, dois terços da força de trabalho logo possuirão smartphones e 40% serão mobile, aumentando assim a complexidade do gerenciamento em função do fenômeno BYOD (Bring Your Own Device -­ traga seu próprio dispositivo).

O big data levanta questões a respeito de como a TI será capaz de gerenciar conjuntos de dados estruturados e não estruturados demasiadamente grandes para se processar usando recursos tradicionais. Quando se juntam a isso uma economia global imprevisível, infraestruturas de TI reduzidas e envelhecidas, e uma crescente pressão para entregar resultados instantaneamente, constata-se que o momento é crítico. E, para complicar ainda mais, o consumidor hiperconectado das gerações Y e Z é exigente e impaciente: o tempo real é a demanda, pois aguardar um segundo para concluir uma transação pode ser uma eternidade.

“A próxima era é a da economia dos aplicativos, e as empresas precisam assegurar confiabilidade, disponibilidade e segurança. Isso porque a experiência do usuário é o ponto central que leva a TI buscar maior velocidade para entrega no melhor ‘time to market’”, diz João Fábio Valentin, vice­-presidente de vendas de soluções de gerenciamento corporativo da CA para América Latina.

Mauro Dângelo, diretor de soluções de indústria da IBM, diz que essa nova era está se materializando em soluções reais de convergência por parte de empresas que estão tentando se tornar melhores ­ ’smart enterprises’ -­ por meio de conexões diretas com o consumidor para entregar uma experiência personalizada.

“Usando recursos de mobilidade, big data e social, o gerente do banco tem uma visão 360º do cliente. No meio do atendimento, recebe no celular informação do big data, que tem um insight para uma oferta ao cruzar dados das redes sociais e descobrir que o cliente vai fazer uma viagem, e sugere ao gerente oferecer um cheque de viagem ou um seguro”, exemplifica Dângelo.

Rodrigo Africani, gerente de arquitetura de pré­-vendas da SAS, diz que hoje há tecnologias que apoiam o big data e consolidam as informações em um único ambiente. Ele cita o exemplo da Shell e seu projeto de internet das coisas (IoT). A empresa inseriu um motor de steaming do SAS, que é responsável pela leitura de todas informações armazenadas nas máquinas das plataformas de petróleo ­ como temperatura e pressão da bomba.

“Os sensores são capazes de captar todas essas informações ­ armazenadas via Hadoop ­, convergir as informações e antever o momento de manutenção de uma determinada bomba, evitando sua paralisação. Isso garante à companhia uma economia de milhões de dólares”, diz Africani.

Tudo isso coloca pressão e exige mudanças na arquitetura de sistemas, e há ao menos duas arquiteturas despontando sem que necessariamente uma delas seja hegemônica. A primeira é a arquitetura aberta e agnóstica, com plataforma de software livre Hadoop e servidores virtualizados e distribuídos em clusters de alto poder de processamento. No sentido oposto ­ e como forma de diferenciação ao hardware comoditizado, especialmente os O&M chineses ­, os fabricantes de equipamentos criaram a categoria dos sistemas convergentes ­ que integram servidor, storage e rede num único appliance.

São também conhecidos como sistemas integrados na denominação do Gartner ou ainda sistemas engenharizados na classificação da Oracle e sua família de servidores de alta performance com funções dedicadas. Oferecem melhor desempenho e, por serem integrados, maior facilidade de gerenciamento e suporte único. O ponto negativo é o fato de manter a empresa presa a um só fornecedor.

“Os sistemas convergentes são uma tentativa de diferenciação dos fabricantes, criando valor e uma coisa única, que, por ser única, naturalmente foge ao padrão. Já o Hadoop é o melhor exemplo das coisas boas que surgiram no mundo aberto, mas exige conhecimento para baixar e configurar os ambientes. O ponto positivo do cenário atual é que o mercado está mostrando que há espaço para todos”, resume Ricardo Chisman, líder de consultoria em tecnologia da Accenture.

Na defesa dos sistemas convergentes, Renato Macedo, diretor comercial de serviços para os mercados de manufatura, energia, varejo, saúde e agronegócios para HP Enterprise Services Brasil, diz que hoje 64% dos orçamentos de TI são destinados a manutenção dos sistemas existentes. “Apenas 36% são alocados para novos projetos. A HP tem ajudado a criar negócios em nuvens públicas e privadas com arquitetura convergente Helion, que permite ao cliente construir sob demanda e conectar com outros ambientes fora do datacenter”, diz Macedo.

Segundo Henrique Cecci, diretor de pesquisas do Gartner, o instituto classifica os sistemas integrados em três categorias. A primeira é dos Infraestructure Integrated Systems, a categoria mais agnóstica e genérica formada por servidores, storage e rede integrados como VCE VBlock, HP ConvergedSystem, Lenovo Pure Flex, Dell VRTX. A segunda é dos Integrated Stack Systems, que, além dos três elementos anteriores, acrescenta uma função específica, como o Oracle Exadata e Exalogic, IBM PureApp, Teradata, SAP Hana. E, por fim, os Integrated Reference Architectures, basicamente normas, padrões e melhores práticas para uma arquitetura de referência: EMC VSPEX, Cisco-­NetApp Flex-Pod, Cisco/IBM VersaStack.

Leave a comment

0 Comments.

Leave a Reply

You must be logged in to post a comment.