Em falência, Via Uno leiloa marca na semana que vem

Por Sérgio Ruck Bueno

Jornal Valor Econômico

22/05/2015 ­ 05:00


A marca e os 34 contratos com lojas franqueadas da calçadista Via Uno, avaliados em R$ 10 milhões, vão à leilão no dia 27, na sede da empresa, em Novo Hamburgo (RS). No fim de março, a Justiça aceitou o pedido de falência com continuidade dos negócios feito pela própria fabricante, devido à impossibilidade de manter as operações e cumprir o acordo aprovado pelos credores no processo de recuperação judicial homologado em novembro do ano passado.

Com a falência, a maior parte do passivo da empresa vai virar pó. São R$ 240 milhões em débitos que estavam sujeitos à recuperação judicial e pelo menos mais R$ 40 milhões em impostos, que vêm em segundo lugar na ordem de pagamento da massa falida, depois das dívidas trabalhistas que somam cerca de R$ 12 milhões.

Além dos ativos que serão leiloados na semana que vem, a Via Uno arrecadou, em abril, R$ 890,4 mil com a venda de máquinas e equipamentos de três unidades industriais desativadas na Bahia, que funcionavam em galpões cedidos pelo governo do Estado. Há mais três prédios desocupados em Novo Hamburgo, avaliados em R$ 14 milhões, mas um deles, que vale R$ 10 milhões, está em litígio com um banco e a data deste pregão ainda não foi marcada.

Conforme o administrador judicial Laurence Bica Medeiros, o arrematante da marca e das franquias ficará livre do passivo. Na recuperação judicial estava previsto que o comprador teria de assumir a maior parte da dívida, exceto dois empréstimos bancários com garantias reais que somam R$ 15 milhões e a parcela dos débitos trabalhistas que fosse quitada com a venda das unidades na Bahia. “Agora ele compra os ativos ‘zerados’, sem sucessão”, comentou.

Segundo Medeiros, a Vara de Falências e Concordatas de Novo Hamburgo aceitou o pedido de falência com continuidade das operações porque a produção dos calçados da marca estava licenciada para a fabricante RR Shoes, que abastecia os franqueados e pagava royalties à empresa até então em recuperação. As receitas geradas, no entanto, foram insuficientes para a continuidade do negócio, para o pagamento dos credores e para a própria conservação dos ativos na Bahia.

A Via Uno foi fundada em 1991 e no fim de 2012 tinha uma rede de 270 lojas franqueadas, próprias e exclusivas, no Brasil e no exterior. A empresa procurou firmar a marca entre as consumidoras de renda mais elevada, mas o acelerado processo de expansão comprometeu o capital de giro e ampliou o endividamento a níveis insuportáveis.

O maior credor da companhia é o grupo calçadista Paquetá, de Sapiranga, que bancou quase R$ 60 milhões em avais concedidos à Via Uno e em 2011 chegou a negociar a aquisição da empresa, mas o negócio não avançou. No início de março deste ano, antes da decretação da falência, o diretor­-presidente da Paquetá, Adalberto Leist, disse em entrevista ao Valor que não tinha “nenhum interesse” em adquirir a marca da Via Uno.

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