PARADIGMA DA EMPRESA VERSUS PARADIGMA DA FAMÍLIA E A SUCESSÃO EM EMPRESAS FAMILIARES: FATORES QUE OBSTACULIZAM O PROCESSO SUCESSÓRIO E COLOCAM EM RISCO A PERENIZAÇÃO DA EMPRESA FAMILIAR

PARADIGMA DA EMPRESA VERSUS PARADIGMA DA FAMÍLIA E A SUCESSÃO EM EMPRESAS FAMILIARES: FATORES QUE OBSTACULIZAM O PROCESSO SUCESSÓRIO E COLOCAM EM RISCO A PERENIZAÇÃO DA EMPRESA FAMILIAR

  

                                                                          *Ricardo Maltz, Me. Gestão Empresarial.

 

 Estudos mostram que, em nível mundial, empresas familiares e administradas pelas famílias são responsáveis por mais da metade dos empregos gerados. Entretanto, registre-se que no Brasil a expectativa média de vida de empresas não-familiares é de 12 anos, enquanto nas de controle familiar é de apenas nove anos, sendo que apenas 30% delas chegam à segunda geração e 5% à terceira geração (OLIVEIRA, 2006).

A literatura especializada e inúmeros trabalhos científicos publicados evidenciam a curiosidade e importância que o tema da alta taxa de mortalidade suscita. No bojo do contexto de um mundo de decisões cada vez mais complexas, a perpetuidade das empresas familiares passa pela boa convivência de sua estrutura formal, a relação com o mercado e as relações com a família. Administrar com foco na missão e visão da empresa, sem, no entanto, deixar de contemplar os valores que sustentam as relações da família, constitui o cerne da questão para a continuidade da empresa.

O processo de sucessão tem na transferência de liderança entre gerações um dos fenômenos mais complexos no ambiente empresarial e podem ser fator crítico para a continuidade da organização. O choque entre os paradigmas da empresa e da família e a aderência por parte do grupo que forma o interior e o dia a dia das organizações são pontos relevantes de observação.

É neste mundo de lógica econômica que as empresas familiares em processo de sucessão buscam sobreviver ao choque causado pelo encontro destes dois paradigmas: o da empresa, em que a racionalidade instrumental e as normas institucionalizadas pelo capital e seus agentes imprimem e moldam a forma de condução dos negócios, e o da família centrado no modelo subjetivo e afetivo.

Não obstante desse cuidado, com enorme freqüência, os processos sucessórios nas empresas esbarram em fatores subjetivos ligados à família ou à transferência de liderança e poder do fundador a quem irá sucedê-lo.

As tensões que este momento causa no grupo de liderados podem se tornar críticas para a organização, levando a uma desarmonia e originando graves problemas que interferem no dia a dia da empresa, podendo até mesmo levar a sua descontinuidade.

A compreensão e a leitura apropriada desses fatores podem contribuir para diminuir as estatísticas negativas.

    O trabalho está publicado na íntegra e poderá ser acessado no site:  http://virtualbib.fgv.br/dspace/handle/10438/6885

  

*Ricardo Maltz é Mestre em Gestão Empresarial pela Ebape-RJ e especialista em Finanças Empresariais pela FGV. Exerce a atividade de consultor de empresas associado da Strategos – Strategy & Management . É membro de Conselho de Administração e leciona a disciplina de Jogos de Empresas no Pós Adm da FGV.

Email: gmaltz@terra.com.br

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