Confecções esperam efeito negativo de Copa e eleição

Jornal Valor Econômico
30/12/2013
Por Marina Falcão | De São Paulo

 

A indústria de confecção deve encerrar o ano com recuo de 2,5% na produção no Brasil e de 15% somente no Estado de São Paulo, em volume, segundo o Sindicato das Indústrias de Vestuário e Confecção do Estado de São Paulo (Sindivestuário). E para 2014, o horizonte do setor permanece bastante nublado, diz Ronald Masijah, presidente da entidade.

Segundo Masijah, Carnaval tardio, Copa do Mundo e eleições farão do próximo ano um período crítico para a indústria de confecções. “No nosso setor, o ano não começa antes de Carnaval. A Copa prejudicará as vendas no varejo e toda incerteza política do período eleitoral deve fazer as empresas adiarem investimentos”, diz.

O Sindivestuário projeta que, juntamente como setor têxtil, a indústria de confecções no Brasil vai faturar cerca US$ 58 bilhões este ano, no mesmo ritmo de retração em volume de peças (2,5%). Segundo Masijah, esse fenômeno vem se repetindo ao longo dos últimos anos porque as companhias não estão conseguindo subir os preços.

A forte concorrência com produtos asiáticos é o principal motivo disso. Masijah diz que a indústria local tem baixíssima competitividade em custos em relação aos produtos importados. A situação é tão delicada que nem a valorização do dólar este ano foi capaz de reverter o crescimento do déficit na balança comercial do setor.

Em 2012, o déficit foi de US$ 4 bilhões e este ano será de US$ 5 bilhões, de acordo com projeções do Sindivestuário. “O importador reduziu um pouco a sua margem, mas não deixou de importar”, afirmou Masijah.

Para ter efeito positivo imediato, o setor de confecções calcula que o câmbio precisaria ir ao patamar entre R$ 2,70 e R$ 2,80.

No ano passado, o setor pediu ao governo federal um regime tributário diferenciado que, na prática, incluiria todas as confecções no Simples, independentemente de porte. “O que acontece hoje é que as empresas não crescem para não sair do Simples. Vão terceirizando a produção. Mas sem crescer, as empresas não conseguem as economias de escala necessárias para melhorar a competividade”, diz.

Até agora, não há definição sobre a questão do regime tributário diferenciado para o setor.

Segundo Masijah, a situação de São Paulo é particularmente pior por causa da disputa com Estados onde há incentivos fiscais, como Santa Catarina, Ceará e Goiás.

Com cerca de 26 mil empresas, 85% delas de porte pequeno ou micro, o setor de confecções emprega hoje 1,6 milhão de pessoas no Brasil. Cinco anos atrás, era responsável por 2 milhões de empregos e contava com 30 mil empresas.

Se as condições de competitividade para a indústria não mudarem, Masijah prevê que o setor de confecções terá uma sobrevida de até oito anos no Brasil e de três anos no Estado de São Paulo, no máximo. “O governo só vai se preocupar com isso quando o emprego perdido na confecção não conseguir ser reposto no varejo ou serviço. Tenho um sentimento de que, após as eleições, essa bomba vai explodir”, diz o representante da entidade, que é dono da fabricante de moda íntima Darling.

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