Maioria dos gestores do país é inflexível

Jornal Valor Econômico
19/06/2013
Por Stela Campos | De São Paulo

 

Estudo realizado com 95 mil gestores em mais de 2.200 companhias ao redor do mundo traz um retrato no mínimo preocupante sobre esses dirigentes. Metade dessas organizações é comandada por gestores inflexíveis e altamente desmotivadores, o que inclui desde aqueles que ocupam cargos de presidente até os que atuam como supervisores. Com essa postura, acabam sendo um entrave para o desempenho de seus subordinados. Os chefes mandões desanimam os funcionários, a produtividade cai e isso tem impacto negativo no resultado da empresa.

O levantamento foi realizado pela consultoria global Hay Group nos últimos sete anos, com base na opinião de três a quatro profissionais que se relacionam diretamente com esses gestores. Nos países emergentes, o estilo de liderança predominante é o coercitivo. No Brasil, 60% dos comandantes receberam essa classificação. “Eles são uma influência negativa porque são autoritários, querem respostas imediatas e gastam pouco tempo com o desenvolvimento das pessoas”, diz Glaucy Bocci, responsável pela prática de liderança para a América Latina do Hay Group.

Glaucy ressalta que, no período analisado, o mundo passou por profundas transformações econômicas que afetaram de forma diferenciada cada região. Os chamados mercados emergentes, incluindo o Brasil, ao despontarem em meio à crise financeira global tiveram que aprender a lidar com uma situação inédita. “Foi preciso gerar riqueza com recursos escassos, qualificar a mão de obra e dar respostas rápidas às novas demandas.”

A pressão por resultados e a necessidade de competir com organizações globais fez com que os emergentes se esforçassem para equilibrar rapidamente essas diferenças. Esse cenário pode justificar, em parte, a presença de lideranças mais controladoras nas companhias da região.

Em determinados contextos, a presença do dirigente coercitivo é bem-vinda, segundo Glaucy. Um exemplo é quando existe a necessidade de cortar custos ou enxugar quadros. “O efeito negativo desse modo de liderar aparece no médio e longo prazo”, afirma a consultora. Isso porque esses gestores também estão associados a ausência de feedback, à falta de atenção com pessoas e pouca clareza na direção.

O estilo coercitivo do dirigente brasileiro é seguido pelo democrático, que envolve a equipe nas decisões e processos, pelo treinador, que ajuda a construir capacidades dos funcionários no longo prazo, e pelo afetivo, que se esforça para criar harmonia no grupo dando mais atenção às pessoas individualmente.

A gestão afetiva, inclusive, é bastante característica na cultura latino-americana. O risco, nesse caso, é que ao evitar conflitos ou discussões muito duras sobre performance para manter um bom ambiente de trabalho, o desempenho da companhia seja afetado. Trata-se de um estilo que sozinho acaba sendo ruim, mas quando combinado com outros pode ser produtivo e estimulante. Glaucy afirma que, no geral, a mistura encontrada no Brasil é boa. “Falta equilibrar um pouco mais o coercitivo.”

Em economias mais maduras como a dos EUA o estilo dominante é o treinador. É o retrato de um mercado consolidado, onde existe autonomia para os funcionários e um diálogo mais franco e aberto. Na Europa, destaca-se o modelador, que exige que as pessoas façam tudo do seu modo. “Apesar dessa diferença em relação ao coercitivo, ele também quer respostas imediatas e ter o controle da situação”, diz Glaucy.

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