Até na rica Dinamarca, a crise afeta o emprego

Jornal Valor Econômico
22/05/2013
Por John D. Stoll | The Wall Street Journal, de Copenhague

Steen Mengel caminhava por uma rua movimentada da capital dinamarquesa há algumas semanas quando se deparou com um letreiro onde se lia: “um acadêmico disponível está sentado aqui”. Uma seta apontava para pessoas sentadas na vitrine de uma loja.

O incorporador de 47 anos não tinha nenhum emprego a oferecer, mas ficou intrigado. “Gostei da ideia”, disse ele, parado a poucos metros da vitrine. “Isto chama a atenção.”

E chamar a atenção é exatamente o que uma série de desempregados está tentando fazer em Copenhague, ainda que, para atingir seu objetivo, eles pareçam estar copiando as vitrines do famoso Bairro da Luz Vermelha de Amsterdã. Depois de perambular em alguns casos por dois anos, profissionais altamente qualificados – que vão de contadores a advogados e ex-diretores-presidentes – estão esperando na fila por uma cadeira na “vitrine”.

“Estou disposto a tentar qualquer coisa”, disse Hannibal Camel Holt, um cientista político desempregado, ao tomar seu lugar na vitrine numa tarde recente. Holt disse que vinha “fazendo de tudo um pouco” nos últimos quatro anos, sem sucesso, apesar de ter qualificações que incluem fluência em seis línguas. Para ele, sentar-se na vitrine foi um passo insólito, mas necessário.

“Eu me sinto como um macaco [...] numa jaula com as pessoas me observando”, disse o ex-funcionário da receita federal.

A Dinamarca ficou imune aos sérios problemas econômicos da Europa graças à sua baixa dívida pública, mas as finanças municipais estão apertadas e os salários têm estado sob forte pressão nos últimos anos diante da preocupação com as exportações e a baixa produtividade. O desemprego continua relativamente baixo, mas a situação está difícil para os profissionais mais qualificados.

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