Uma lição de Buffett: duvide de si mesmo

Jornal Valor Econômico
07/06/2013
Por Jason Zweig | The Wall Street Journal

Ouça alguém que discorda de você.

Essa é a lição que Warren Buffett, presidente da Berkshire Hathaway Inc., deu aos investidores que participaram da famosa reunião anual da empresa.

Para apimentar o ritual, Buffett convidou alguém que apostou contra a ação da empresa – Doug Kass, do fundo de hedge Seabreeze Partners Management – para participar do painel de analistas que fizeram perguntas a ele e ao vice-presidente Charles Munger.

Buffett “confia em si mesmo, mas ele não tem medo de um desafio”, disse Kass na semana passada. “Eu acho que ele gosta de desafios.”

A busca constante e deliberada de Buffett de encontrar quem lhe diga porque ele pode estar errado é uma das chaves do seu sucesso.

Buffett disse uma vez sobre o cientista Charles Darwin “que sempre que ele trombava com alguma coisa que contradissesse uma de suas conclusões favoritas, ele tinha que anotar o achado em no máximo trinta minutos. Caso contrário, sua mente rejeitaria a informação discordante, da mesma forma que o corpo rejeita transplantes. A inclinação natural do homem é de se agarrar às suas crenças, especialmente se elas forem reforçadas por experiências recentes.”

Para se ter uma noção do quão incomum foi o convite de Buffett a Kass, considere uma pesquisa com mais de 500 empresas feita pelo Instituto Nacional de Relações com Investidores em 2011. Ela mostrou que 80% das empresas limitaram quem podia fazer perguntas nas conferências trimestrais para discutir resultados. Quase 25% só aceitavam perguntas de participantes “pré-aprovados”. Só 11% das empresas permitiam que investidores individuais fizessem perguntas e apenas 12% delas abriam o microfone para todos.

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