Gestão não tem tamanho:tem princípios

TELMO SCHOELER
Revista Administrador Profissional CRA- SP
Agosto/ 2012

Quando mencionamos exemplos e estratégias de empresas bem-sucedidas, como Coca-Cola, Nestlé, Microsoft, Disney, Natura, Gerdau, é comum ouvir: “Ah! Mas isso é para grandes empresas, não se aplica a nós, pequenas e médias”… Analogamente, ao trazer para a mesa casos de grandes derrocadas, como Varig, Lehman Brothers, GM, Mesbla, Kodak, a ilusória válvula de escape tende a ser: “O caso deles foi diferente do nosso, pois somos muito menores”…

Após quase cinco décadas de avaliação e diagnóstico de centenas de empresas de todos os tipos, setores, dimensões, estágios de sofisticação gerencial e situação econômico-financeira, enxergo uma constância de presença dos seguintes fatores de sucesso e de sua ausência nos fracassos:

1- Objetivo claro e definido sua ausência impede traçar caminhos.

2- Estratégia para atingir esse objetivo e pessoas capazes de estabelecê-la sem a qual, tudo é efêmero.

3- Estrutura de capital compatível com o negócio nada se sustenta apenas com ideias e boa vontade.

4- Pessoas com capacidade para executar as ações da estratégia iniciativa sem entrega é inócua.

5- Sistema de registro e controle dos atos e fatos sem ele se desconhecem situação e performance, e qualquer voo cego um dia acaba em tragédia.

6- Periódica revisão estratégica à luz das mudanças e dinâmica do mundo só o futuro existe e será diferente do passado.

7- Afinidade e harmonia societária a física já nos ensina que a resultante de forças iguais e de sentido contrário é a inércia, o que nos negócios é a morte.

8- Gestão do processo sucessório de pessoas e de capital porque pessoas morrem e capital troca de mãos.

9- Acompanhamento, verificação e auditoria dos atos e fatos nem tudo o que parece é.

10- Consciência de que só o mercado/ vendas nos sustenta saber que necessidades suprimos ou problema resolvemos para os clientes.

11- Sermos melhores/ diferentes de nosso concorrente por que clientes gastam conosco?

12- Consciência de que tudo acaba em dinheiro sobrevivemos ou morremos pelo caixa que está no fim da jornada.

O conjunto demonstra a complexidade, sofisticação e os riscos do moderno mundo empresarial, em que a intuição ainda é válida, mas o amadorismo não. Hoje, alguém pode até ter 100% do capital, mas ninguém, sozinho, tem 100% da capacidade nem do conhecimento. Daí a importância dos princípios e boas práticas de governança corporativa – transparência, equidade, prestação de contas e responsabilidade corporativa.

Nomes famosos ou histórias e exemplos que desfilam nos noticiários mostram que nada disso tem a ver com porte de empresas: multinacionais ou a padaria da esquina sobrevivem ou desaparecem pelas mesmas razões, que são a adesão ou não aos princípios de gestão e governança. E estes, no fundo, se submetem aos inexoráveis e internacionais princípios financeiros: dinheiro custa. Por isso, requer eficiência e exige resultado maior que o seu custo; não distingue nacionalidade, raça, religião, idade ou tradição.

Adm. Telmo Schoeler
CRA-SP nº 35.823 Sócio-fundador e leading partner da Strategos – Strategy & Management.

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