Pequenas empresas se unem para reduzir custo de expansão

09 de agosto de 2011
Carolina Dall’Olio – O Estado de S.Paulo

Os doces e salgados feitos pela tradicional padaria Benjamin Abrahão vão virar petiscos que acompanham cervejas artesanais. Depois de levar as receitas que fazem sucesso desde 1987 em Higienópolis para outros oito endereços de São Paulo, a empresa decidiu crescer sem ter de abrir mais filiais e aceitou colocar seus produtos em uma loja de outra marca: o novo Espaço Gourmet da rede de franquias Mr. Beer, que será inaugurado este mês no Pacaembu.
Com o acordo, a padaria passará a vender cerca de 10 mil salgados por mês para acompanhar as cervejas comercializadas na nova unidade da Mr. Beer. O número dobrará em breve, com a inauguração de um outro Espaço Gourmet no Brooklin, zona sul de São Paulo – e pode se multiplicar caso os planos de expansão da Mr. Beer se concretizem.
Para atender a nova demanda, a Benjamin Abrahão já está construindo uma nova central de produção na Barra Funda, bem mais ampla que a atual e que fica em Higienópolis. “O espaço, que ficará pronto em 2012, vai tornar mais ágil a fabricação dos alimentos”, afirma o chef Felipe Abrahão, que assumiu a produção depois da morte do avô, em 2001.
Além de aumentar as vendas, a parceria com a Mr. Beer trará ainda um outro ganho à padaria: novos produtos. Abrahão teve de criar e adaptar algumas receitas para que os doces e salgados harmonizassem com as cervejas artesanais vendidas pela Mr. Beer. “Foi um estímulo para fazer coisas novas”, conta.
Assim nasceu, por exemplo, um croquete de mortadela com pistache – que Abrahão garante ser uma delícia. “Vou poder testar os produtos em outra loja e, se eles fizerem sucesso, trago para o cardápio das padarias.”
Tendência. Benjamin Abrahão e Mr. Beer seguiram o exemplo de grandes empresas que, cada vez mais, unem atividades complementares para ganhar mercado por necessidade.
A Mr. Beer, por exemplo, buscou a parceria porque precisava formatar o cardápio de seu novo modelo de negócio: os “espaços gourmets”.
Originalmente, a empresa tinha apenas quiosques em shopping center. Ali, o cardápio de alimentos se resume a pistaches, amendoins e outros produtos embalados. Afinal, o foco é a venda da cerveja, e não o consumo.
Ao atingir a marca de 18 quiosques em dois anos de operação, a Mr. Beer passou a enfrentar dificuldades para abrir novas franquias por conta da falta de pontos comerciais em shopping center. “Nós temos investidores interessados, mas não temos espaços disponíveis nos shoppings”, afirma Rodolfo Alves, franqueador da Mr. Beer.
Por isso, a saída para chegar à meta de 30 unidades até o fim de 2011 foi apostar em lojas de rua. No início do ano, a rede abriu uma operação piloto em Londrina, no Paraná, para testar o conceito. “Percebemos logo que, para atrair as pessoas, teríamos de transformar a loja em um espaço para consumo da cerveja”, relata Alves. “E precisaríamos de petiscos para acompanhar.”
Alves não gosta de chamar de bar a loja de rua da Mr. Beer. Prefere definir como um “empório”. “É um “espaço gourmet”, pequeno, um lugar de degustação”, resume o empresário. “Mas o foco são as cervejas.” Foi para não desviar muito desse foco que a empresa deixou a produção de alimentos e a elaboração do cardápio de petiscos a cargo da Benjamin Abrahão.
Com a venda de alimentos, as lojas de rua devem ser até mais rentáveis que os quiosques da Mr. Beer – embora o custo do ponto comercial também seja mais alto. Enquanto o faturamento médio mensal das franquias de shopping é de R$ 30 mil, nas ruas pode chegar a R$ 50 mil. Em ambos os casos, o lucro líquido varia entre 10% e 12%.
“A parceria com a Benjamin Abrahão, além de trazer a credibilidade da marca e receitas de qualidade ao nosso cardápio, ainda nos ajudou a desenhar um novo modelo de negócio para a marca, agilizando nossa expansão.”

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